Resiliência e coragem sempre!
Na Doutrina Espírita, a frase de Jesus “Vós sois deuses” (João 10:34) é interpretada como uma revelação sobre a natureza espiritual e o potencial infinito de evolução do ser humano. Jesus não quis dizer que somos o Deus Criador Absoluto, mas sim que somos filhos e centelhas divinas com a capacidade de alcançar a perfeição.
A visão espírita divide essa passagem em quatro pilares principais:
Centelha Divina e Filiação
- Origem Comum: Cada ser humano possui uma partícula da essência criadora de Deus dentro de si.
- Deuses com “d” minúsculo: O Espiritismo nos define como pequenos deuses em estado embrionário, criados “simples e ignorantes”, mas com os germes da divindade a serem desenvolvidos.
Progresso e Evolução Infinita
- Potencial Ilimitado: Não há limites para o avanço da inteligência e do sentimento humano.
- Lei da Reencarnação: O amadurecimento dessa natureza divina ocorre ao longo de múltiplas existências.
- Destinação Cósmica: Todos os espíritos chegarão um dia ao estado de pureza e perfeição (angelitude).
Consciência e Cocriação
- Responsabilidade Espiritual: Ser um “deus” significa expandir a própria consciência para além da matéria.
- Manipulação das Leis: À medida que evolui, o espírito aprende a cocriar com o Universo e a manipular as leis da natureza para o bem.
Reforma Íntima
- Modelo e Guia: Jesus utilizou essa afirmação para nos lembrar de que podemos fazer o que Ele fez.
- Trabalho Interno: O desabrochar do “deus interno” exige esforço próprio, estudo e a prática da caridade por meio da reforma íntima.
Para aprofundar o entendimento espírita sobre a frase “Vós sois deuses”, é preciso analisar a mecânica da evolução da alma descrita por Allan Kardec e os comentários trazidos por benfeitores espirituais, como Emmanuel.
Abaixo, detalhamos os mecanismos de como esse potencial divino se manifesta na prática.
O Estado Embrionário: Simples e Ignorantes
No item 115 de O Livro dos Espíritos, Kardec explica que Deus criou todos os espíritos “simples e ignorantes“, ou seja, sem conhecimento e sem moralidade, mas com aptidão idêntica para o bem e para o mal.
- Semente Divina: Deus não cria espíritos perfeitos, mas coloca em cada um a “semente” da perfeição.
- Livre-Arbítrio: O desenvolvimento dessa semente depende exclusivamente do esforço e das escolhas da própria alma através das vidas.
A Reencarnação como Escola da Divindade
A frase de Jesus faz sentido prático apenas sob a ótica das vidas sucessivas. Uma única existência humana é curta demais para transformar uma criatura imperfeita em um ser “divino”.
- Múltiplas Experiências: O espírito reencarna em diferentes corpos, sexos, classes sociais e culturas.
- Aquisição de Virtudes: Cada vida serve para desenvolver uma nova faculdade (paciência, inteligência, coragem, amor).
- O Apice: Ao atingir o topo da escala espírita (Espíritos Puros), a alma liberta-se da necessidade de reencarnar em mundos materiais.
A Capacidade de Cocriação
Na obra A Gênese, Kardec aborda os fluidos espirituais e o poder do pensamento. À medida que o espírito evolui e compreende sua natureza divina, ele passa a atuar diretamente na criação cósmica.
- Cocriação em Plano Menor: Os espíritos elevados ajudam a plasmar a matéria mental, dirigir mundos, coordenar a natureza e amparar civilizações.
- Sintonia com o Criador: O “deus em miniatura” passa a governar sistemas de acordo com a Vontade Divina Superior.
A Explicação da Passagem por Jesus
Ao dizer “Vós sois deuses”, Jesus estava citando o Salmo 82:6 (“Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo”). Os judeus queriam apedrejá-Lo por Ele se dizer Filho de Deus.
Jesus usa o texto bíblico para mostrar que, se a própria lei antiga chamava de “deuses” os homens comuns que receberam a palavra de Deus, não havia blasfêmia em Ele se declarar Filho do Criador. Ele iguala a natureza espiritual de toda a humanidade à Sua própria natureza.
Nas obras psicografadas por Chico Xavier, o espírito Emmanuel utiliza a frase bíblica “Vós sois deuses” para destacar a responsabilidade individual e o poder criador da mente humana, sublinhando nossa condição de co-criadores. Emmanuel enfatiza que a centelha divina em cada um precisa ser desenvolvida, rejeitando a falsa humildade e incentivando a evolução espiritual através do amor e da ação no bem.
Fonte: pesquisa realizada pela Equipe Um Caminho
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