Ciência e Religião, Mediunidade

É lícito usar a mediunidade para prever o futuro?

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Em princípio, não é lícito buscar a mediunidade com o objetivo de prever o futuro para satisfazer a curiosidade pessoal, obter vantagens materiais ou evitar o esforço e o aprendizado das provas da vida. A espiritualidade superior desaprova essa prática.

Por quê?

  1. Preservação do Livre-Arbítrio: O conhecimento detalhado do futuro anularia o livre-arbítrio do indivíduo, impedindo-o de fazer suas próprias escolhas e de aprender com suas experiências. Deus oculta o futuro para que o homem possa agir e progredir por seus próprios méritos.
    • O Livro dos Espíritos, Questão 869: “Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria do presente e não obraria com a liberdade com que o faz, porque o dominaria a ideia de que, se uma coisa tem que acontecer, inútil será ocupar-se com ela, ou então procuraria obstar a que acontecesse.”
    • A Gênese, Capítulo XVI, 3: “O conhecimento do futuro poderia ser prejudicial ao homem, conhecimento que lhe pearia o livre-arbítrio, paralisá-lo-ia no trabalho que lhe cumpre executar a bem do seu progresso.”
  2. Propósito da Mediunidade: A mediunidade é um dom divino concedido para fins elevados: provar a imortalidade da alma, consolar os aflitos, instruir os homens sobre as leis divinas e impulsioná-los ao progresso moral. Não é uma ferramenta para adivinhação ou para resolver problemas materiais sem esforço.
    • O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XXVIII, item 9: “A missão dos médiuns é santa, porquanto ela tem por finalidade abrir os horizontes da vida eterna.”
    • O Livro dos Espíritos, Introdução, VIII: Os Espíritos superiores “não se ocupam com o que lhes é indiferente” e “afastam-se das reuniões frívolas ou impelidas unicamente pela curiosidade”.
  3. Atração de Espíritos Inferiores: A busca por previsões fúteis ou para ganho pessoal atrai Espíritos levianos, zombeteiros e mistificadores, que se comprazem em enganar e desviar os incautos. Esses Espíritos não têm compromisso com a verdade ou com o progresso moral.
    • O Livro dos Espíritos, Introdução, VIII: “O campo fica, então, livre à turba dos Espíritos mentirosos e frívolos, sempre à espreita de ocasiões propícias para zombarem de nós e se divertirem à nossa custa.”
    • O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XXI, item 6: “Não acrediteis em todos os espíritos; vede primeiro se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.”
  4. Comercialização: A mediunidade deve ser gratuita. Qualquer forma de cobrança por previsões ou “trabalhos” para alterar o destino é um desvirtuamento grave, que atrai Espíritos de baixa moralidade e descredibiliza a prática.
    • O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XXVI, item 1: “Dai gratuitamente o que recebestes gratuitamente.”
    • Ramatís, em A Missão do Espiritismo, Capítulo 9, p. 109, critica: “Pais e mães-de-santo que vivem enganando as pessoas, ciganas e ledoras de sorte que cobram por seus trabalhos, não têm nenhuma relação com os objetivos elevados que os mentores da Umbanda programaram.”

A espiritualidade superior aprova iniciativas como o Tarot, Jogo de Búzios e outras formas de prever o futuro para beneficiar e/ou alertar consulentes?

A espiritualidade superior não aprova o uso dessas ferramentas para a adivinhação do futuro com fins mundanos ou para contornar o esforço pessoal.

  • Tarot e outras cartomancias: Não são práticas incentivadas pela Doutrina Espírita. Embora possam, em alguns casos, revelar intuições ou percepções mediúnicas, o foco na predição do futuro e a associação com a comercialização as tornam desaconselháveis.
  • Jogo de Búzios: No Candomblé, o jogo de búzios é um oráculo tradicional e sagrado, utilizado para comunicação com os Orixás e entidades, buscando orientação, diagnóstico de problemas espirituais e caminhos para o equilíbrio. No entanto, mesmo nesse contexto, a espiritualidade superior desaprova o uso comercial ou para fins de manipulação. A licitude depende da finalidade moral e caridosa, e não da mera curiosidade ou ganho material.
    • Ramatís, ao analisar a Umbanda (que tem raízes no Candomblé), critica as “ledoras de sorte que cobram por seus trabalhos” (A Missão do Espiritismo, Capítulo 9, p. 109), indicando que a comercialização desvirtua o propósito espiritual de qualquer oráculo.

Em resumo:

A mediunidade, quando utilizada para prever o futuro de forma assertiva e detalhada, especialmente para fins materiais ou para evitar o esforço pessoal, não é lícita sob a ótica da espiritualidade superior. Essa prática desvirtua o propósito divino da mediunidade, atrai Espíritos inferiores e prejudica o progresso moral do médium e do consulente.

Alertas e orientações gerais sobre o futuro da humanidade (como as profecias sobre a regeneração da Terra) são permitidos e até necessários, pois visam à reforma moral e ao despertar das consciências, sem, contudo, detalhar o futuro individual ou anular o livre-arbítrio. O foco deve ser sempre na reforma íntima, na caridade e no progresso espiritual, e não na busca por atalhos ou soluções mágicas.

Fonte: pesquisa realizada pela Equipe Um Caminho

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COMENTÁRIOS RECENTES

  1. Sérgio Luiz de Oliveira em Quem Somos

    Gostaria de ter esses ensinos impresso

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