Deus, Jesus, Filho de Deus

Por que Jesus esteve entre nós? Por que Deus o enviou à Terra?

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A vinda de Jesus à Terra não foi um evento aleatório ou meramente histórico, mas sim parte de um plano divino de amor e sabedoria, essencial para o progresso moral e espiritual da humanidade. Ele não veio como um homem comum, mas como um Espírito de ordem elevadíssima, um enviado direto de Deus com uma missão específica e grandiosa: a de ser o Guia e Modelo para a humanidade terrena.

Conforme “O Evangelho Segundo o Espiritismo” nos elucida, Jesus veio para cumprir as profecias e dar o verdadeiro sentido à Lei de Deus, que havia sido revelada primeiramente por Moisés. A Lei Mosaica, com seus preceitos de justiça e disciplina, preparou o terreno; a Lei de Jesus, pautada no amor e na caridade, veio para a completar e sublimar. Sua autoridade não era terrena, baseada em poder político ou militar, mas provinha de sua natureza excepcional, de sua pureza espiritual e de sua inquestionável missão divina. Ele era o Espírito mais puro e perfeito que já encarnou em nosso orbe.

Em Capítulo I, item 4, lemos:

“O papel de Jesus, porém, não foi apenas o de um legislador moralista, sem outra autoridade que a da sua palavra; ele veio cumprir as profecias que haviam anunciado sua vinda, e a sua autoridade provinha da natureza excepcional do seu espírito e da sua missão divina.”

Deus o enviou para nos guiar, para nos mostrar o caminho da verdadeira vida, que não se restringe à existência material. Ele veio para nos ensinar a nos reconciliarmos com Deus e a compreender a marcha das coisas que devem acontecer para a realização dos destinos humanos. A Terra, sendo um mundo de provas e expiações, necessitava de um farol, de um modelo de perfeição moral para iluminar o caminho de seus habitantes, mergulhados em egoísmo e orgulho. A presença de um Espírito tão elevado era fundamental para impulsionar a humanidade a um novo patamar de compreensão e vivência das leis divinas.

O prefácio da obra, em uma mensagem do Espírito de Verdade, já anuncia essa vinda como um momento de restauração e iluminação:

“Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, como um imenso exército que se move desde que dele recebeu a ordem, espalham-se sobre toda a superfície da Terra; semelhantes às estrelas resplendentes, eles vêm iluminar a estrada e abrir os olhos dos cegos. Eu vos digo, em verdade, são chegados os tempos em que todas as coisas devem ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, envergonhar os orgulhosos e glorificar os justos.”

Jesus foi, portanto, o grande semeador da verdade e do amor, preparando o terreno para a evolução moral e espiritual da humanidade, plantando as sementes que frutificariam ao longo dos séculos.

O que Ele veio ensinar à humanidade?

Jesus veio ensinar à humanidade a essência da Lei Divina, que se resume em dois grandes mandamentos: o amor a Deus e o amor ao próximo. Ele não apenas proferiu esses ensinamentos, mas os exemplificou em cada ato de sua vida, tornando-se o Evangelho vivo. Sua moral é a da caridade e da humildade, virtudes que se opõem diretamente ao egoísmo e ao orgulho, as grandes chagas da humanidade.

Em Capítulo I, item 3, é destacado:

“Jesus, ao contrário, modificou-as profundamente, seja no conteúdo, seja na forma. Combateu incessantemente o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, e não podia fazer com que essas leis passassem por uma reforma mais radical do que quando as reduziu a estas palavras: ‘Amar a Deus acima de todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo’, e acrescentando ‘eis aí toda a lei e os profetas’.”

Segundo a Doutrina Espírita, Ele ensinou sobre:

  • A vida futura e a imortalidade da alma: Jesus deixou claro que a vida terrena é apenas uma passagem, e que a verdadeira vida se dá no reino dos céus, o plano espiritual. Ele trouxe a certeza da continuidade da vida após a morte, um conceito fundamental para dar sentido às provas e expiações, e para nos fazer compreender que somos Espíritos imortais em jornada evolutiva. Em Capítulo II, item 2, o Evangelho afirma: “Por essas palavras, Jesus claramente se refere à vida futura, que ele apresenta, em todas as circunstâncias, como a meta a que tende a humanidade e como devendo ser o objeto das principais preocupações do homem sobre a Terra.”
  • A reencarnação: Embora não tenha usado o termo “reencarnação” explicitamente, suas palavras e as referências dos evangelistas (como a identificação de João Batista com Elias, ou a pergunta dos discípulos sobre o cego de nascença, se ele ou seus pais haviam pecado) confirmam a pluralidade das existências. O Espiritismo esclarece que a reencarnação é a chave para compreender a justiça divina, a oportunidade de reparação de erros passados e o progresso contínuo da alma através de múltiplas experiências encarnatórias. Capítulo IV, item 4 explica que “a reencarnação é o retorno da alma, ou espírito, à vida corporal, mas em um outro corpo, novamente formado para ela, que nada tem de comum com o antigo.”
  • A justiça divina: Jesus mostrou que as aflições não são castigos arbitrários, mas consequências de nossas ações passadas (expiações) ou oportunidades de crescimento e aprendizado (provas). Ele ensinou a resignação e a paciência diante do sofrimento, prometendo consolo aos aflitos que souberem suportar suas dores com fé e entendimento, transformando o sofrimento em aprendizado e purificação. Capítulo V, item 3 aborda a “Justiça das aflições”, afirmando que “desde que se admite Deus, não se pode concebê-lo sem o infinito das suas perfeições; Ele deve ser todo poder, todo justiça, todo bondade, sem isso não seria Deus.”
  • A caridade em sua mais ampla acepção: Não apenas a esmola material, mas a benevolência (desejar o bem a todos), a indulgência (ser tolerante com as imperfeições alheias), o perdão das ofensas (libertar-se do ressentimento) e o amor aos inimigos (superar o ódio e a vingança). A caridade é apresentada como a condição essencial para a salvação e a base de todas as outras virtudes, sendo o termômetro do nosso progresso espiritual. São Paulo, em sua epístola citada no Capítulo XV, item 6, eleva a caridade acima de todas as outras virtudes, inclusive a fé e a esperança, por ser a única que permanece eternamente.
  • A humildade: Jesus, ao se apresentar como modelo, sempre destacou a humildade como caminho para o Reino dos Céus, contrastando-a com o orgulho que afasta o homem de Deus e o impede de reconhecer suas próprias imperfeições e a grandeza divina. A humildade abre as portas para o aprendizado e para a recepção das inspirações superiores. Em Capítulo VII, item 6, é dito que “o Espiritismo vem confirmar a teoria pelo exemplo, mostrando-nos grandes no mundo dos espíritos aqueles que foram pequenos na Terra; e, muitas vezes, bem pequenos aqueles que nela eram importantes e poderosos.”

Ele também prometeu o “Consolador”, o Espírito de Verdade, que viria para completar seus ensinamentos e relembrar o que havia sido esquecido ou mal compreendido, adaptando-os à capacidade de compreensão da humanidade em cada época. O Espiritismo se apresenta como esse Consolador, trazendo a luz da razão para as verdades espirituais, explicando de forma lógica e coerente os mistérios da vida e do universo. Em Capítulo VI, item 4, é dito: “O Espiritismo vem, na época determinada, cumprir a promessa do Cristo: o Espírito de Verdade preside ao seu estabelecimento; ele relembra aos homens a observação da lei; ele ensina todas as coisas fazendo compreender o que o Cristo só nos transmitiu por meio de parábolas.”

Fonte: pesquisa realizada pela Equipe Um Caminho

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COMENTÁRIOS RECENTES

  1. Sérgio Luiz de Oliveira em Quem Somos

    Gostaria de ter esses ensinos impresso

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