Aos que Sofrem, Auto-negação

A mochila imperceptível

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“Pois nada há de oculto que não se torne manifesto, e nada em segredo que não seja conhecido e venha à luz do dia”. (Lucas, 8:17.)

Cantos ensombreados, salas nubladas, sótãos escuros, porões enegrecidos podem ser excelentes metáforas para entendermos os departamentos íntimos da nossa casa mental – nosso “lado sombrio”. Todos temos aspectos escuros, dissimulados, reprimidos e ignorados.

Se tomarmos consciência exata de tudo aquilo que está dentro de nós, encontraremos salvação e bem-estar; no entanto, se desconhecermos e não expressarmos o que está em nossa intimidade, então encontraremos destruição e insanidade.

Na Antiguidade e na Idade Média, os “demônios” serviram de bode expiatório para toda sorte de impulso e emoções deploráveis dos seres humanos. A concepção medieval era simplista: acreditava-se que todo e qualquer pensamento ou ação era proveniente de agentes malignos, não se admitindo que as denominadas possessões pudessem ser também desordens ou desequilíbrios emocionais que surgiam da área mais escura e negada de nós mesmos – a nossa sombra pessoal.

É freqüente acreditarmos que existe somente a sombra de desvirtude – faces inaceitáveis da nossa personalidade, que negamos e que nos causam embaraços. Esses são impulsos que não queremos mostrar ao mundo nem a nós mesmos. Entretanto, há também uma sobra de luz – um lugar onde enterramos nossa autenticidade, potenciais e aptidões inatas; há “deuses embrionários” dentro de cada ser humano esperando o desenvolvimento.

Aonde quer que vamos, carregamos uma “grande sacola escura”, seja nos recantos bucólicos da Natureza, seja nos campos hostis da luta humana; seja nas moradias comuns, nos lugares de mau aspecto, seja nas belas e suntuosas residências. Onde estivermos, ela estará conosco.

Por analogia, a sombra é uma “mochila” que levamos nas costas e que; quase nunca é vista claramente. Nela está tudo aquilo que não vemos e não admitimos em nós mesmos. Uma vez levada à luz da consciência, dela emergem as nossas facetas ocultas.

As áreas sombrias da psique apenas são escuras quando dissimuladas e reprimidas; quando retiradas do “fundo do abismo” do reino interior, encontramos suas funções latentes e seus valores não manifestados; aí então ficamos integrados. Não há “nada em segredo que não seja conhecido e venha à luz do dia”.

Nós achamos que somos maus, no entanto somos apenas ignorantes.

Nós achamos que temos um interior inadequado, no entanto temos um jeito de ser único.

Nós achamos que deveríamos ser perfeitos, no entanto somos apenas seres em desenvolvimento espiritual.

Nós achamos que somos anormais, no entanto somos apenas criaturas vivenciando a normalidade da imperfeição humana.

Tudo que é muito escondido um dia emerge abruptamente. “Pois nada há de oculto que não se torne manifesto”. Nosso lado sombrio, quando aceito, pode se corporificar em forma de liberdade, saúde e serenidade.

Devemos viver como se fôssemos um “livro aberto”. Não queremos dizer com isso que precisamos viver escancarados para o mundo, mas que, se fechados, ficaremos impossibilitados de nos vermos claramente.

Deus não quer que vivamos os anseios e os projetos de vida dos outros, e sim que concretizemos nossas propostas e anseios existenciais. Nosso movimento interno ou inclinação natural são os motivadores que nos incitam à realização pessoal. E, fora de nossa realização pessoal, não há felicidade, paz e alegria de viver.

O fato de negarmos a nós mesmos nos impede a liberdade de viver de foram legítima, sincera e verdadeira. Os aspectos internos que mais tememos podem ser o meio de acesso para a solução que estamos procurando ou a idéia-chave para nossos conflitos.

Fonte: extraído do livro “Um modo de entender uma nova foram de viver”, de Francisco do Espírito Santo Neto, pelo espírito Hammed – Instituto Beneficente Boa Nova.

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