Amadurecimento, Reforma Íntima

O chamado do mundo e o caminho para Deus

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Através dos jornais, revistas, TV, rádio etc., somos permanentemente bombardeados com informações e filmes que tratam quase que exclusivamente de brutalidade, vilania e falta de respeito para com a vida. Os videogames sãos os piores. Eles fazem da criança o alvo principal da violência, pois as sangueiras e as monstruosidades são os ingredientes mais comuns em todos os brinquedos infantis. O objetivo de tais games é sempre o mesmo: matar, destruir, subjugar, roubar etc. Além disso, o apelo erótico sobre nossas crianças chega a ser criminoso.

Quando um amontoado de lixo cultural, nacional e importado, é veiculado maciçamente, vai criando uma espécie de crosta sobre o nosso ser e acabamos por acreditar que esta é a única forma possível de comportamento. Aquele que não adota o padrão instituído pela mídia está fora do contexto. É “peixe fora d’água”.

A cortesia, a docilidade, a fidelidade, a camaradagem desinteressada, etc. não dão ibope e, por isso, tornam-se matérias escassas nos meios de comunicação. Pior: muitas vezes são apresentadas como coisa de otário. Evidentemente, ninguém quer passar por otário. Daí…

A influência da mídia nefasta contribui para a construção de um mundo no qual a disputa se torna cada vez mais acirrada, onde impera a “Lei de Gerson” (querer levar vantagem em tudo), e isso tem reflexo em nossa vida como um todo, inclusive em nossas relações de trabalho, na escolha e no comportamento de governantes e legisladores, no comportamento intra-familiar etc. O comportamento moralizado, então, dá lugar ao comportamento moralista que acusa mais acoberta e é conivente com o comportamento imoral.

De certa forma, parece que estamos sempre em guerra, guerra de rapina, desconfiando de tudo e de todos. Nesse “todos”, estamos incluídos, quando observados pelo outro. Olhando de fora do palco, vê-se que a peça encenada apresenta um conjunto de homens se comportando como um bando de cães disputando um punhado de ossos.

Afinal, existe uma alternativa segura que nos possibilite caminhar neste mundo sem perder a direção de Deus? Os Homens de Sabedoria dizem que sim, e nos indicam como proceder no Caminho, conforme abaixo:

ADAB: A CORTESIA DO CAMINHO
ADAB é cortesia, respeito, adequabilidade. ADAB não é formalidade; ajuda a criar o contexto em que desenvolvemos nossa condição humana. Cada situação ou relacionamento tem seu próprio adab; entre estudantes, no Caminho; em relação aos membros da família e aos mais velhos; em relação ao Mestre. Cada nível do ser também tem seu ADAB, inclusive ao chegar à presença da Verdade (Al Haqq).

O modelo de ADAB é o Profeta Maomé (que a paz e a benção desçam sobre ele), que disse: “Nenhum de vocês terá fé autêntica enquanto seus corações não estiverem corretos; nem seus corações estarão corretos, até que suas línguas estejam corretas; e suas línguas não estarão corretas, até que suas ações sejam feitas corretamente”.

À medida em que alguém começa a tornar-se consciente dos benefícios e possibilidades do ADAB adquire impressionante clareza do quanto se tem perdido na cultura contemporânea em nome de alguma hipotética liberdade pessoal e realização individual.

Nossas possibilidades neste caminho seriam supridas pelo incremento de nossa consciência sobre alguns aspectos simplificados do ADAB:

Ser direto, com sinceridade e confiança na verdade.

Ser consciente e lamentar (ou arrepender-se de) suas falhas em lugar de encontrar falhas nos outros.

Ser livre de preocupações, aborrecimentos, vaidades e ambições “do mundo”.

Ser indiferente ao elogio ou a acusações.

Fazer o que se faz por Deus – não pelo desejo de recompensa ou medo de punição.

Adotar uma apropriada humildade (consciência de seus limites ou erros) e “invisibilidade” em público e nas reuniões de devotos.

Servir o melhor, com seus recursos físicos ou outros recursos, a todos os irmãos e irmãs do Caminho.

Aprender a comportar-se como se cada irmão ou irmã do Caminho estivesse em um estágio mais alto do que nós. Centrar nossa conversação em Deus e na vinda da harmonia com Deus e entre cada um de nós.

Não participar de fofocas. A bisbilhotice e a fofoca são uma das piores ações a que um buscador de Deus pode dar atenção – não apenas falar sobre elas, mas também ouvi-las. Fofoca é definida como dizer qualquer coisa às escondidas de uma pessoa que nos desagrada, seja verdadeira ou não.

Buscar a cura de alguma ferida que você possa ter causado a outro e corrigir algum desentendimento, se possível dentro de três dias.

Saber que nenhum bem resultará da expressão de raiva ou de comportamento excessivamente hilário.

Ser paciente com as dificuldades.

Ser indiferente a favorecimentos ou benefícios para si, por recebimento de dívidas ou ofertas de alguém.

Ser livre de invejas ou ambições espirituais, inclusive os desejos de liderar ou ensinar.

Esforçar-se para aumentar seu conhecimento sobre o Caminho, incluindo as Sagradas Escrituras e a sabedoria dos santos.

Estar disposto a lutar contra seu ego tanto quanto ele lhe impeça de seguir o ADAB apropriado e perceber que o maior aliado é o amor.

Ter um Mestre a quem ame e é amado por ele e cultivar este relacionamento.

Aceitar sugestões e mesmo críticas do seu Mestre com gratidão e sem defensivas. A resposta apropriada é sempre “Todo bem vem de Deus”.

Não manter nenhum segredo com seu Mestre.

Consultar seu Mestre sobre as maiores decisões na vida, especialmente viagens.

Fazer nem mais nem menos do que as práticas sugeridas pelo seu Mestre, embora seja sempre permitido pedir mais.

Procurar fazer suas práticas mais e mais internamente sinceras do que externamente aparentes.

Perceber que um Mestre é um ser humano com suas próprias limitações; ele ou ela vivem situações em que estão inspirados e outras em que não o estão. Se houver amor suficiente entre o discípulo e seu Mestre as limitações de personalidade serão, com graça, superadas.

O discípulo não precisa concordar sempre com seu Mestre. Tome o que lhe é útil ou significativo para você e coloque em uma bagagem à sua frente. Tome o que você não concorda ou não entende e coloque em outra bagagem, atrás de você. Pode ser que um dia, longe de seu Mestre, você encontre na bagagem algo que você realmente necessita.

Fonte: artigo enviado pelo amigo Valter Paiva, elaborado com base nos ensinamentos do Islã.

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