Doutrina Espírita, Leis naturais

Os Dez Mandamentos na codificação espírita

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Kardec, pergunta aos Espíritos superiores, conforme consta do Livro dos Espíritos (LE):

Perg. 614 – Que se deve entender por Lei Natural?

R – A Lei Natural é a Lei de Deus é a única verdadeira para a felicidade do homem. Ela lhe indica o que deve fazer e o que não deve fazer, e ele não é infeliz senão quando se afasta dela.

Perg. 615 – A Lei de Deus é eterna?

R – Ela é eterna e imutável quanto o próprio Deus.

Perg. 621 – Onde está escrita a Lei de Deus?

R – Na consciência.

No desenvolvimento das Leis Naturais (Leis Divinas), vemos uma certa correspondência com os Dez Mandamentos. São também em número de dez, quais sejam:

I – De Adoração

É a elevação do pensamento a Deus. Pela oração, a alma se aproxima dele (perg. 649 LE).

II – Do Trabalho

O trabalho é uma Lei Natural, por isso mesmo é uma necessidade e a civilização obriga o homem a trabalhar mais porque aumenta suas necessidades e seus prazeres (Perg. 674 LE).

III – Da Reprodução

Sem ela o mundo corporal pereceria (Perg. 686 LE).

IV – De Conservação

O instinto de conservação é dado a todos os seres vivos, qualquer que seja o grau de sua inteligência. Em uns, ele é puramente maquinal, em outros ele é racional (Perg. 702 LE).

V – De Destruição

É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar, porque o que chamais destruição não é senão uma transformação que tem por objetivo a renovação e melhoramento dos seres vivos (Perg. 728 LE).

VI – De Sociedade

Deus fez o homem para viver em sociedade. Deus não deu inutilmente ao homem a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação (perg. 766 LE).

VII – Do Progresso

O progresso é lei natural, cuja ação se faz sentir em tudo no Universo, não sendo admissível, por conseguinte, possa o homem frustrá-la ou contrapor-se-lhe.

VIII – De Igualdade

Todos os homens são iguais diante de Deus, todos tendem ao mesmo fim e Deus fez suas Leis para todos (perg. 803).

IX – De Liberdade

O homem é, por natureza, dono de si mesmo, isto é, tem o direito de fazer tudo quanto achar conveniente ou necessário à conservação e ao desenvolvimento de sua vida. Essa liberdade, porém, não é absoluta, e nem poderia sê-lo, pela simples razão de que, convivendo em sociedade, o homem tem o dever de respeitar esse mesmo direito em cada um de seus semelhantes.

X – De Justiça, de Amor e de Caridade

A justiça consiste no respeito aos direitos de cada um. Amai-vos uns aos outros disse Jesus. Caridade é benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.

Conclusão

Pode alguém ficar escandalizado com algumas coisas que estamos dizendo, entretanto, é bom que se diga que Jesus, de certa forma, modificou os Dez Mandamentos. Fez uma síntese deles, que não há como contestá-los mais. Encontramo-la em Mateus 22, 36-40: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? Respondeu Jesus: ‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo. Nesse dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas’”.

Quem ama verdadeiramente seu próximo, não mata, não rouba, não cobiça, enfim, nada faz que seja contra este outro ensinamento de Jesus: Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Acrescentando: Esta é a Lei e os Profetas. (Mateus 7, 12).

Autor: Paulo da Silva Neto Sobrinho

Bibliografia:

Bíblia Sagrada, Edição Barsa, 1965.

Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Sociedade Bíblica Católica Internacional e Paulus, 14ª Impressão 1995

O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, IDE, SP, 37ª edição 1987.

Publicado na edição de março de 2002 do Jornal “O Semeador”, da FEESP.

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