Equilíbrio, Reforma Íntima

Caminhada em busca do equilíbrio

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No reino de Magadha, que era governado pelo reio Bimbisara, vivia Sona, filho de um nobre.

Certo dia, Sona acompanhou os representantes das aldeias até o Pico dos Abutres e lá encontrou o Buda e sua vida se transformou. Ficou tão tocado com seus ensinamentos que permaneceu depois que todos haviam partido e pediu para ser admitido na ordem dos monges.

Algum tempo depois, foi viver sozinho em um arvoredo tranqüilo. Lá, ele procurou fazer progressos em sua vida espiritual. Á medida que andava de um lado para outro, refletindo sobre os ensinamentos do Buda e tentando entender como aplicá-los, seus pés delicados foram criando feridas e começaram a sangrar. Logo se formou uma trilha de sangue por onde ele caminhava, mas Sona continuou mesmo assim, tentando compreender os ensinamentos cada vez mais a fundo.

Alguns monges, ao verem isso, ficaram perturbados, porque um dos seus estava se machucando por fazer esforço excessivo. Foram comunicar o fato ao Buda, que decidiu falar com Sona:

– Quando você estava sozinho no retiro agora há pouco, Sona, você se percebeu indagando se toda a energia que estava colocando em sua vida espiritual de fato o estava levando a algum lugar? Você se pegou pensando se deveria ou não retornar à vida leiga e, usando as riquezas de sua família, fazer algum bem para o mundo e, pelo menos dessa forma, se tornar digno de algum mérito?

Sona ficou espantado: eram exatamente esses pensamentos que passavam pela sua mente enquanto ele andava de um lado para outro.

E o Buda continuou:

– É verdade que, no passado, você já foi um exímio tocador de alaúde?

– Sim, meu Senhor, eu fui.

– Diga-me, quando as cordas de seu alaúde estavam frouxas, o instrumento ficava fácil de tocar e produzia um bom som?

– Não, meu senhor.

– E quando as cordas estavam estiradas demais, o instrumento ficava fácil de tocar e produzia um bom som?

– Certamente não, meu Senhor.

– Mas, quando as cordas estavam bem afinadas, nem muito frouxas nem muito estiradas, então o instrumento soava bem.

– Sim, é verdade, meu Senhor.

– A mesma coisa acontece na vida espiritual, Sona. Se você colocar energia demais do tipo errado, isso irá apenas levá-lo à agitação e à inquietude, e energia de menos o tornará frouxo e sem brilho. Você deve buscar harmonia em sua energia e equilíbrio em suas faculdades espirituais. Pode usar sua experiência como músico para ajudá-lo a atingir esse ponto.

 

Fonte: extraído do livro “Histórias e Ensinamentos da vida do Buda”, de Saddhaloka. Editora Sextante.

 

 

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Editor

2 Comments

  1. Editor 27 de julho de 2011 at 8:38 - 

    Nós é que agradecemos seu carinho e reconhecimento!

    Equipe Um Caminho

  2. Deborah 26 de julho de 2011 at 10:28 - 

    Bom dia! Gostaria de dizer que esse site é muito inspirador. Assinei o feed dele, e gosto muito das mensagens que recebo. Estão de parabéns com esse site, que motiva e traz ensinamentos tão bonitos.

    Gosto muito de vir trabalhar, de manhã cedo, e antes de começar meu dia, ler um texto repleto de ensinamentos, como esse. Me motiva e me traz alegria no coração de poder continuar meu trajeto. Agradeço muito a vocês por isso.

    Obrigada!!

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