Caridade, Generosidade

Generosidade

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A criatura generosa é alguém que aprendeu a auxiliar os outros sem se ver obrigada a tomar para si os infortúnios que não lhe pertencem. Socorre os sofredores sem emaranhar-se na sua problemática emocional. Procura ser condescendente com as aflições alheias, mas não se envolve nela. Ou melhor, não tenta carregar a cruz do mundo nas atividades que visam abrandar as dores terrenas.

Para auxiliar não precisamos passar todo o tempo obcecados por pessoas de quem gostamos, ou pensando de modo compulsivo na melhor maneira de ajudá-las. Há criaturas tão absorvidas nos problemas alheios que não lhes sobra tempo para perceber e solucionar os seus.

Uma das ferramentas básicas que podemos utilizar em benefício das pessoas é manter certa “distância psíquica” delas. Isso não quer dizer que, ao nos distanciarmos emocionalmente, deixaremos de nos importar com elas, ou de amá-las, mas de abandonarmos a angústia de viver envolvimentos neuróticos, na ânsia de tudo resolver, decidir e compreender.

Desligar-se ou distanciar-se não é recusar a ajuda afetuosa, nem viver uma aceitação passiva e resignada, mas evitar relacionamentos desgastantes e perturbadores.

Cada ser humano é responsável por si mesmo; por isso, precisamos perceber os problemas que não são nossos,cuja solução não nos pertence. A ansiedade e a preocupação não ajudam em nada.

Ser generoso é entender que o silêncio momentâneo é, muitas vezes, a melhor ajuda. É saber confiar na ação do Poder Superior e reconhecer que as experiências da vida, certas ou erradas, são as que geram amadurecimento e crescimento espiritual. Aliás, as verdadeiras experiências são a soma dos próprios erros e desenganos que acumulamos ao longo da vida.

Generosidade não é tão somente uma habilidade adquirida por pessoas privilegiadas; é também uma capacidade latente em todo ser humano. Nós a desenvolvemos gradativamente, acompanhando os ritmos da vida. Um dia, a benevolência será vivenciada por toda a humanidade.

A generosidade é o oposto do egoísmo. Enquanto o generoso desfruta liberdade, repartindo o que pode e o que tem, o egoísta vive isolado, querendo segurar tudo e todos ao seu redor.

Egoísmo não é viver a própria vida ao nosso modo, mas desejar que os outros vivam como nós queremos.

O mundo onde moramos depende de nossa colaboração, já que nenhum feito, sentimento ou pensamento passam despercebidos neste sistema de humanidade interdependente do qual fazemos parte. Todos temos que contribuir; ninguém está livre do devotamento à família, amigos e desconhecidos.

O nosso altruísmo e as atitudes de amor influenciam os atos dos outros e, por consequência, criamos na Terra um ambiente renovado que igualmente nos afeta – de forma mental, emocional, social e espiritual. Por outro lado, não podemos nos esquecer de que cada pessoa carrega dentro de si a solução para seus males.

Se o Criador nos deu uma vida social é porque, juntos, podemos amparar os passos vacilantes uns dos outros, enquanto que, sozinhos, podemos tropeçar mais facilmente diante das perigosas trilhas da jornada terrena.

A generosidade não consiste em doar de forma abundante e descontrolada, mas em como e quando doar adequadamente.

 

Fonte: extraído do livro “Os prazeres da alma”, de Francisco do Espírito Santo Neto, pelo espírito Hammed. Editora Boa Nova.

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