Aos que Sofrem, Doutrina Espírita, Provas e expiações

Provas de riqueza e de miséria

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814 Por que Deus deu a uns riquezas e poder e a outros a miséria?

– Para experimentar cada um de maneiras diferentes. Aliás, vós já o sabeis, essas provas foram os próprios Espíritos que escolheram e, muitas vezes, nelas fracassam.

815 Qual das duas provas é a mais terrível para o homem, a miséria ou a riqueza?

– Tanto uma como outra; a miséria provoca a lamentação contra a Providência; a riqueza estimula todos os excessos.

816 Se o rico tem mais tentações, não tem também mais meios de fazer o bem?

– É justamente o que nem sempre faz; torna-se egoísta, orgulhoso e insaciável. Suas necessidades aumentam com a riqueza e ele acredita nunca ter o suficiente.

☼ Neste mundo tanto as posições de destaque quanto a autoridade sobre seus semelhantes são provas tão arriscadas e difíceis para o Espírito quanto a miséria. Quanto mais se é rico e poderoso, mais se tem obrigações a cumprir e maiores são as possibilidades de fazer o bem e o mal. Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo uso que faz de seus bens e de seu poder.

A riqueza e o poder despertam todas as paixões que nos ligam à matéria e nos afastam da perfeição espiritual; é por isso que Jesus ensinou: “Em verdade vos digo que é mais fácil um camelo(1) passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”. (Veja a questão 266.)

Igualdade dos direitos do homem e da mulher

817 O homem e a mulher são iguais diante de Deus e têm os mesmos direitos?

– Sim; Deus deu a ambos a compreensão do bem e do mal e a capacidade de progredir.

818 De onde vem a inferioridade moral da mulher em alguns países?

– Do domínio injusto e cruel que o homem impôs sobre ela. É um resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Para os homens pouco avançados, do ponto de vista moral, a força faz o direito.

819 Com que objetivo a mulher é mais fraca fisicamente do que o homem?

– Para assinalar suas funções diferenciadas e particulares. Ao homem cabem os trabalhos rudes, por ser mais forte; à mulher, os trabalhos mais leves, e ambos devem se ajudar mutuamente nas provas da vida.

820 A fraqueza física da mulher não a coloca naturalmente sob a dependência do homem?

– Deus deu a uns a força para proteger o fraco, e não para que lhes imponham seu domínio.

☼ Deus apropriou a organização de cada ser às funções que deve realizar. Se deu à mulher menos força física, dotou-a, ao mesmo tempo, de uma maior sensibilidade em relação à delicadeza das funções maternais e a fraqueza dos seres confiados aos seus cuidados.

821 As funções às quais a mulher é destinada pela natureza têm importância tão grande quanto as do homem?

– Sim, e até maiores; é ela quem dá ao homem as primeiras noções da vida.

822 Ambos, sendo iguais diante da lei de Deus, devem ser também diante da lei dos homens?

– É o primeiro princípio de justiça: não façais aos outros o que não quereis que vos façam.

822 a Assim, uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar a igualdade dos direitos entre o homem e a mulher?

– De direitos, sim; de funções, não. É preciso que cada um esteja no seu devido lugar; que o homem se ocupe do exterior e a mulher do interior, cada um de acordo com sua aptidão. A lei humana, para ser justa, deve consagrar a igualdade dos direitos entre o homem e a mulher; todo privilégio concedido a um ou a outro é contrário à justiça. A emancipação da mulher segue o progresso da civilização, sua subjugação marcha com a barbárie. Os sexos, aliás, existem apenas no corpo físico; uma vez que os Espíritos podem encarnar em um ou outro, não há diferença entre eles nesse aspecto e, conseqüentemente, devem desfrutar dos mesmos direitos.

Igualdade diante do túmulo

823 De onde vem o desejo do homem de perpetuar sua memória com monumentos fúnebres?

– Último ato de orgulho.

823 a Mas a suntuosidade dos monumentos fúnebres, muitas vezes, não é feita pelos parentes que desejam honrar a memória do falecido e não pelo próprio falecido?

– Orgulho dos parentes que desejam glorificar a si mesmos. Nem sempre é pelo morto que se fazem todas essas demonstrações: é por amor-próprio, pelo mundo e para ostentar riqueza. Acreditais que a lembrança de um ser querido seja menos durável no coração do pobre, porque só pode colocar uma flor no túmulo do seu parente? Acreditais que o mármore salva do esquecimento aquele que foi inútil na Terra?

824 Reprovais de modo absoluto a pompa dos funerais?

– Não; quando honram a memória de um homem de bem, é justa e um bom exemplo.

☼ O túmulo é o local de encontro de todos os homens; ali terminam definitivamente todas as distinções humanas. É em vão que o rico tenta perpetuar sua memória nos monumentos grandiosos; o tempo os destruirá, como o corpo. Assim quer a natureza. A lembrança de suas boas e más ações será menos duradoura do que seu túmulo; a pompa dos funerais não o limpará de suas torpezas e não o fará subir um só degrau na hierarquia espiritual. (Veja a questão 320 e seguintes)

(1) Camelo: ao tempo de Jesus, as cordas de amarrar navios eram feitas de pêlos de camelo e eram conhecidas como camelo (N. E.).

Fonte: texto do Livro dos Espíritos, extraído do site http://www.espirito.org.br/

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