Resiliência e coragem sempre!
Coríntios 13 é uma mensagem poderosa sobre a importância do amor em nossas vidas. Quando amamos verdadeiramente, enfrentamos qualquer desafio e superamos qualquer obstáculo. Que possamos buscar viver nossas vidas em amor, refletindo o amor de Deus para aqueles ao nosso redor.
Mas qual a diferença entre Amor e Caridade?
A diferença entre Amor e Caridade, na Doutrina Espírita, reside fundamentalmente na relação entre o princípio e a aplicação prática. O Amor é a essência divina, o sentimento universal e incondicional que permeia toda a Criação, enquanto a Caridade é a manifestação desse amor em nossas ações e interações com o próximo.
Vamos aprofundar essa distinção, utilizando os ensinamentos das obras espíritas:
O Amor: A Essência Divina e Universal
O Amor é a própria natureza de Deus, a força primordial que sustenta o Universo. Ele é a base de tudo o que existe, a pulsação criativa que impulsiona a vida em todos os planos.
- Essência de Deus: Conforme Lázaro explica em O Evangelho Segundo o Espiritismo, “O amor resume inteiramente a Doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso alcançado… o ponto mais delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar da palavra, mas o sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XI, item 8).
- Lei Regente do Cosmo: Ramatís, em O Evangelho à Luz do Cosmo, reforça que o amor é a própria lei regente e orientadora do passado e do futuro do homem. Ele é o sustentáculo do Universo, um “Amor puro, integral e incondicional, dispensa qualquer discussão ou análise, porque não é uma virtude ou concessão ocasional a cargo da legislação divina, mas é a essência da manifestação criadora do próprio Espírito e a norma fundamental e superior da própria vida.” (RAMATIS_O_Evangelho_a_Luz_do_Cosmo_Obra.pdf, Capítulo 4).
- Universalidade: Jesus ensinou que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. O “próximo” não se limita à família, religião ou pátria, mas abrange “a humanidade toda, inteira” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XI, item 9). É um sentimento que une todos os seres, independentemente de suas diferenças.
A Caridade: A Prática do Amor
A Caridade é a expressão ativa do Amor. É a forma como colocamos o sentimento divino em prática no nosso dia a dia, transformando a benevolência em ações concretas e atitudes construtivas.
- Aplicação do Amor: Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, é dito que “Amar o próximo como a si mesmo; fazer aos outros o que desejamos que os outros façam por nós é a expressão mais completa da caridade, pois resume todos os deveres para com o próximo.” (Capítulo XI, item 4).
- Virtude Essencial: Jesus não apenas recomendou a caridade, mas a estabeleceu como a “condição absoluta da felicidade futura”. Ela engloba implicitamente todas as outras virtudes, como a humildade, a doçura, a benevolência, a indulgência e a justiça, sendo a negação do orgulho e do egoísmo (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XV, item 3).
- Definição de Paulo: O apóstolo Paulo, em sua primeira Epístola aos Coríntios, oferece uma das mais belas e completas definições da caridade, destacando-a como a principal das virtudes:”Ainda que eu fale todas as línguas dos homens, e mesmo a língua dos anjos, se eu não tiver caridade, sou apenas como o bronze que soa ou o címbalo que retine; e se eu tivesse o dom da profecia, e penetrasse em todos os mistérios, e tivesse uma perfeita ciência de todas as coisas, e ainda que eu tivesse toda a fé possível, até a de transportar montanhas, se eu não tiver caridade, nada sou. E quando eu houvesse distribuído os meus bens para alimentar os pobres, e entregado meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, isso de nada me servirá. A caridade é paciente, é terna e beneficente; a caridade não é invejosa, não é temerária nem precipitada; não se enche de orgulho, não é desdenhosa, não procura seus próprios interesses, não se vangloria nem se irrita com nada, não faz más suposições, não se alegra com a injustiça, mas sim com a verdade; ela tudo suporta, tudo crê, tudo espera e tudo sofre. Agora estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem, mas entre elas a principal é a caridade.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XV, item 6).
- Caridade Material e Moral: A caridade não se restringe à esmola material. Irmã Rosália, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, destaca a caridade moral, que “consiste em se suportar uns aos outros”, em saber calar, ser surdo à ironia, não ver o sorriso de menosprezo, e não considerar os erros alheios. Ela é a mais difícil de ser praticada, mas não custa nada materialmente (Capítulo XIII, item 9).
A Relação Indissociável: Amor como Princípio, Caridade como Ação
A Doutrina Espírita nos ensina que Amor e Caridade são inseparáveis. O Amor é o sentimento que nos conecta a Deus e a toda a Criação, a Caridade é a forma como expressamos esse sentimento no mundo.
- Complementaridade: “Não se podendo amar a Deus sem praticar a caridade com o próximo, todos os deveres do homem se acham resumidos nestas palavras: Fora da caridade não há salvação.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XV, item 5). Isso significa que o amor a Deus se manifesta através do amor ao próximo, e esse amor ao próximo se concretiza pela caridade.
- Caminho para a Perfeição: A prática da caridade é o meio pelo qual o espírito se purifica e se eleva, aproximando-se da perfeição e da felicidade eterna. Ela é a “âncora de salvação” que Deus nos concedeu (O Livro dos Espíritos, Capítulo V).
- Transformação Interior: A caridade não é apenas um ato externo; ela promove uma profunda transformação interior. Ao praticá-la, combatemos o egoísmo e o orgulho, que são os maiores obstáculos ao nosso progresso espiritual.
Em resumo, o Amor é o sentimento divino, a essência de nossa conexão com Deus e com todos os seres. A Caridade é a expressão desse amor em atos, pensamentos e palavras, sendo a via prática para a nossa evolução e a concretização do reino de Deus na Terra e em nós mesmos. Não podemos verdadeiramente amar sem praticar a caridade, e a caridade mais autêntica brota de um coração que ama.
Essa compreensão nos oferece uma perspectiva consoladora e prática para a vida moderna. Em um mundo muitas vezes conturbado, a Doutrina Espírita nos lembra que a felicidade e a paz duradouras não vêm da acumulação de bens materiais, mas da vivência do amor e da caridade. Ao nos dedicarmos ao bem do próximo, com benevolência, indulgência e perdão, estamos construindo nosso próprio caminho para a felicidade e contribuindo para a regeneração da humanidade. É um convite a uma vida com propósito, onde cada ato de bondade, por menor que seja, ressoa no plano espiritual e nos aproxima da Divindade.
Fonte: Pesquisa da Equipa Um Caminho
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