Doutrina Espírita, Evolução do Espírito

Como definir os graus de evolução do Espírito?

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A Doutrina Espírita oferece uma visão profunda e consoladora sobre a evolução do espírito, explicando que todos somos criados “simples e ignorantes”, mas com a capacidade inata de progredir rumo à perfeição. Essa jornada é contínua e se dá através de múltiplas existências, ou reencarnações, em diferentes mundos.

Graus de Evolução do Espírito

Em “O Céu e o Inferno”, Allan Kardec detalha essa progressão, que não é linear nem uniforme para todos, mas sempre ascendente:

  1. Espíritos Imperfeitos (ou Inferiores):
    • Características: Predominância da matéria sobre o espírito. São propensos ao mal, ao egoísmo, ao orgulho e à ignorância. Suas imperfeições geram sofrimento, que é inerente ao seu estado.
    • Sofrimento: O sofrimento para esses espíritos é muitas vezes mais material e intenso, pois estão mais apegados às sensações físicas e às ilusões terrenas. Eles podem experimentar a “perturbação” após a morte, confundindo-se e acreditando-se ainda vivos ou presos às suas paixões.
    • Exemplo no texto: Os “Espíritos endurecidos” e “Espíritos sofredores” na Segunda Parte do livro, como Lapommeray, Angèle e o Espírito de Castelnaudary, que persistem no orgulho, na indiferença ou na maldade, e cujos sofrimentos são descritos como resultantes de suas próprias imperfeições e da incapacidade de se desapegar da matéria ou de compreender a verdade.
    • O Céu e o Inferno, Capítulo VII, item 1: “A alma ou Espírito sofre na vida espiritual as conseqüências de todas as imperfeições que não conseguiu corrigir na vida corporal. O seu estado, feliz ou desgraçado, é inerente ao seu grau de pureza ou impureza.”
    • O Céu e o Inferno, Capítulo IX, item 20: “Nas classes inferiores destacam-se Espíritos ainda profundamente propensos ao mal e comprazendo-se com o mal. A estes pode-se denominar demônios…”
  2. Espíritos em Condições Medianas:
    • Características: Já superaram as tendências mais grosseiras ao mal, mas ainda possuem imperfeições e apegos materiais. Buscam o bem, mas podem vacilar. O arrependimento já se manifesta, mas a reparação ainda está em curso.
    • Sofrimento: O sofrimento é mais moral do que físico, decorrente do remorso e da compreensão das faltas passadas. A perturbação pós-morte é mais curta e a lucidez se estabelece mais rapidamente.
    • Exemplo no texto: Joseph Bré, que se autoavalia como “honesto no juízo dos homens”, mas reconhece suas falhas perante Deus. A Sra. Hélène Michel, que, apesar de frívola em vida, tinha um bom coração e sua perturbação foi breve. O Dr. Cardon, que, embora materialista, teve um momento de lucidez e arrependimento antes da morte.
    • O Céu e o Inferno, Capítulo VII, item 16: “O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação.”
  3. Espíritos Felizes (ou Superiores):
    • Características: Predominância do espírito sobre a matéria. Já se despojaram de grande parte das suas imperfeições, cultivando a caridade, a humildade e a sabedoria. Sua felicidade é proporcional ao seu progresso moral e intelectual.
    • Atividade: A felicidade não é ociosidade, mas uma “constante atividade” em missões de auxílio e progresso, colaborando com a obra divina.
    • Exemplo no texto: Sanson, que descreve sua transição como um “sono breve” e um “despertar suavíssimo”, e imediatamente se dedica a auxiliar. Samuel Filipe, que, apesar das provações terrenas, as suportou com resignação e agora desfruta de uma felicidade que o impulsiona a ajudar. O Dr. Demeure, que, mesmo após a morte, continua a “tratar” os doentes como espírito.
    • O Céu e o Inferno, Capítulo III, item 6: “A felicidade está na razão direta do progresso realizado…”
    • O Céu e o Inferno, Capítulo III, item 12: “A felicidade dos Espíritos bem-aventurados não consiste na ociosidade contemplativa… A vida espiritual em todos os seus graus é, ao contrário, uma constante atividade, mas atividade isenta de fadigas.”
  4. Espíritos Puros (ou Anjos):
    • Características: Atingiram a perfeição relativa que a criatura comporta. São mensageiros de Deus, atuando na harmonia do Universo e inspirando o bem.
    • Origem: São almas que, como todas as outras, foram criadas simples e ignorantes e progrediram por mérito próprio através de inúmeras existências.
    • O Céu e o Inferno, Capítulo VIII, item 13: “Os anjos são, pois, as almas dos homens chegados ao grau de perfeição que a criatura comporta, fruindo em sua plenitude a prometida felicidade.”

Fonte: pesquisa da Equipe Um Caminho, com base no livro “O Céu e o Inferno”, de Allan Kardec.

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COMENTÁRIOS RECENTES

  1. Sérgio Luiz de Oliveira em Quem Somos

    Gostaria de ter esses ensinos impresso

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