Resiliência e coragem sempre!
A questão da vida após a morte é abordada de formas variadas pelas tradições religiosas e filosóficas:
Para uma compreensão mais profunda, aqui estão os detalhes sobre como cada tradição e corrente de pensamento estrutura a ideia de continuidade ou fim após a morte:
Tradições Religiosas:
- Catolicismo: A doutrina baseia-se na separação da alma e do corpo. No instante da morte, ocorre o Juízo Particular, onde a alma é destinada ao Céu (comunhão total com Deus), ao Inferno (autoexclusão definitiva de Deus) ou ao Purgatório (um estado de purificação para aqueles que morrem na amizade de Deus, mas ainda com resquícios de pecado). No fim dos tempos, creem na ressurreição dos corpos para o Juízo Final.
- Protestantismo: Embora compartilhem a visão de Céu e Inferno, a maioria das denominações rejeita o Purgatório por não o encontrar explicitamente na Bíblia. O foco central é a Sola Fide (apenas a fé): o destino eterno é selado pela aceitação ou rejeição de Jesus Cristo como salvador durante a vida, sem intercessão por mortos após o falecimento.
- Judaísmo: É uma religião focada na ação (Mitzvot) no mundo presente. As concepções de pós-morte evoluíram: o Sheol era inicialmente visto como um lugar sombrio de repouso para todos. Mais tarde, consolidou-se a ideia do Olam Ha-Ba (Mundo por Vir), que pode ser um paraíso espiritual ou uma era messiânica futura de ressurreição na Terra.
- Islamismo: A vida terrena é vista como uma prova. Após a morte, a alma aguarda no Barzakh (um estado intermediário) até o Dia da Ressurreição. O julgamento baseia-se no equilíbrio entre boas e más ações e na submissão a Alá. O Paraíso é descrito com deleites físicos e espirituais, enquanto o Inferno envolve sofrimentos proporcionais aos pecados.
- Hinduísmo: A alma individual (Atman) é eterna e está presa ao Samsara, o ciclo de mortes e renascimentos. O que define a próxima forma de vida (humana, animal ou divina) é o Karma (ações passadas). O objetivo final é o Moksha, quando a alma se liberta do ciclo e se funde com o absoluto (Brahman).
- Budismo: Difere das demais por não acreditar em uma alma imutável (Anatta). O que renasce é um fluxo de consciência carregado de tendências cármicas. O sofrimento é causado pelo desejo; ao extinguir o desejo através do Nobre Caminho Óctuplo, alcança-se o Nirvana, um estado de paz suprema que interrompe definitivamente o ciclo de renascimentos.
- Espiritismo: Codificado por Allan Kardec, vê o corpo apenas como uma veste temporária. A morte é o “desencarne”, o retorno ao mundo espiritual. Através de sucessivas reencarnações, o espírito evolui intelectual e moralmente. Não há céu ou inferno eternos, mas estados de consciência e colônias espirituais adequados ao nível de evolução de cada um.
- Taoismo: A morte é vista como parte da alternância natural entre o Yin e o Yang. O objetivo do sábio é viver em harmonia com o Tao (o caminho/natureza) para alcançar a imortalidade espiritual. Algumas vertentes acreditam que a energia vital (Qi) se dispersa e retorna ao cosmos, enquanto outras cultivam práticas para preservar a consciência além da morte.
Perspectivas Filosóficas:
- Platão (Dualismo): No diálogo Fédon, Platão argumenta que o corpo é a “prisão da alma”. A alma, sendo imaterial e capaz de conhecer verdades eternas (como a matemática e a justiça), deve ser ela própria eterna. A morte seria a libertação da alma para o Mundo das Ideias.
- Epicuro (Materialismo Antigo): Defendia que a alma é composta de átomos que se dispersam com a morte. Sua lógica era: “Onde eu estou, a morte não está; onde a morte está, eu não estou”. Portanto, temer o pós-morte seria irracional, pois não haverá consciência para sentir dor ou saudade.
- Immanuel Kant (Postulado da Razão Prática): Kant admitia que não podemos “provar” a vida após a morte pela razão pura. No entanto, ele argumentava que, para que o universo seja moralmente justo, a alma deve ser imortal. Como a virtude nem sempre é recompensada em vida, a imortalidade é uma necessidade prática para que a harmonia entre moralidade e felicidade ocorra.
- Nietzsche (Eterno Retorno): Mais do que uma teoria metafísica, o Eterno Retorno é um exercício de pensamento: “E se você tivesse que viver sua vida exatamente como ela é, infinitas vezes?”. Ele rejeitava o “além” cristão, chamando-o de niilismo, e pregava que o sentido deve ser encontrado na afirmação máxima da vida terrena.
- Existencialismo (Sartre e Camus): Para esses pensadores, o ser humano é “lançado” no mundo sem um propósito divino. A morte é o “absurdo” final que encerra todas as possibilidades. Essa finitude não deve levar ao desespero, mas à responsabilidade: somos os únicos autores do significado de nossas vidas enquanto existimos.
- Filosofia Contemporânea (Fisicalismo): Muitos filósofos atuais, alinhados à neurociência, defendem que a mente é o que o cérebro faz. Se a estrutura física do cérebro é destruída, a consciência (o “eu”) desaparece. Debates modernos focam em temas como o “upload de consciência” ou a identidade pessoal, questionando se uma cópia digital de alguém seria, de fato, a continuação daquela vida.
Por que os espíritas entendem as explicações das obras de Kardec como mais sensatas e justas tendo como base a orientação Cristã e o Evangelho de Jesus?
O entendimento de que a doutrina espírita é mais “sensata e justa” do ponto de vista cristão baseia-se no que Allan Kardec chamou de “O Consolador Prometido” por Jesus. Para os espíritas, o Espiritismo não é uma nova religião, mas a explicação lógica dos ensinos de Cristo.
Aqui estão os pontos fundamentais que sustentam essa visão de justiça e sensatez:
1. A Reencarnação como Justiça Divina
Para o Espiritismo, a ideia de uma única vida seguida de uma eternidade de céu ou inferno parece incompatível com a justiça e a misericórdia de Deus.
- A Lógica: Se um bebê morre aos dois dias e um idoso morre aos 90 anos após uma vida de erros, como julgá-los com a mesma régua para a eternidade?
- A Solução: A reencarnação oferece a todos as mesmas oportunidades de aprendizado e reparação. Ninguém é condenado ao sofrimento eterno por erros cometidos em uma única e curta existência.
2. A Lei de Causa e Efeito (Lei de Ação e Reação)
Os espíritas consideram que o conceito de “perdão dos pecados” através de rituais é menos educativo do que a responsabilidade pessoal.
- Sensatez: No Espiritismo, o indivíduo é responsável por cada ato. Se prejudicou alguém, a justiça divina não exige uma punição vazia, mas a reparação do dano.
- Justiça: Isso explica as aparentes desigualdades sociais, físicas e intelectuais do nascimento como consequências de escolhas feitas em vidas passadas, e não como um capricho ou “vontade de Deus”.
3. Fé Raciocinada vs. Fé Cega
Kardec enfatiza que a fé deve encarar a razão “face a face”.
- O Evangelho: No livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec analisa as parábolas de Jesus não pelo sentido literal, mas pelo espírito da letra.
- Sensatez: Os espíritas sentem que essa abordagem resolve contradições bíblicas e científicas, integrando os ensinos de Jesus com as leis da natureza e da ciência, tornando a crença algo lógico e não apenas uma imposição de dogma.
4. A Progressividade do Espírito
Diferente da visão de um Céu estático (contemplação) ou um Inferno definitivo (tortura), o Espiritismo prega a Evolução Contínua.
- Justiça: Deus, sendo um pai amoroso, nunca desiste de um filho. Mesmo os espíritos mais endurecidos no mal têm a chance de evoluir e atingir a felicidade plena através do esforço próprio.
- Visão Cristã: Eles interpretam a frase de Jesus “Na casa de meu Pai há muitas moradas” como os diversos mundos e estados espirituais condizentes com o grau de adiantamento de cada espírito.
5. A Caridade como Condição Única
Enquanto algumas denominações pregam que “fora da Igreja não há salvação”, o lema do Espiritismo é “Fora da Caridade não há salvação”.
- Sensatez: Isso coloca o comportamento moral e o amor ao próximo (o núcleo do ensino de Jesus) acima de qualquer rótulo religioso. Para o espírita, um ateu bondoso está mais próximo da “salvação” (evolução) do que um religioso que não pratica o bem.
6. Intercâmbio entre os Mundos
A comunicação com os mortos (mediunidade) é vista como a prova da imortalidade da alma prometida pelo Evangelho. Isso retira o caráter “sobrenatural” ou “milagroso” da morte, transformando-a em um fenômeno natural, o que traz consolo racional às famílias enlutadas.
Em resumo, os espíritas consideram as obras de Kardec mais justas porque elas retiram de Deus o caráter de um “juiz severo e parcial” e o apresentam como a Justiça Soberana, que dá a cada um segundo suas próprias obras, garantindo que o progresso seja infinito e o amor de Deus, incondicional.
Fonte: pesquisa realizada pela Equipe Um Caminho
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