Deus, Fé e Religiosidade

O Mistério da Fé e a Alquimia do Sentir

0 34

A fé, em sua essência mais profunda, não é um exercício de retórica ou uma lista de desejos endereçada ao invisível.

Muitos buscam na fé a realização de projetos pessoais repetindo frases como mantras mecânicos. No entanto, a palavra desacompanhada do sentimento e merecimento é como um eco que se perde no vazio; ela “bate na porta e vai embora”. O escritor Napoleon Hill nos apresentou uma reflexão interessante sobre este tema. Segundo Hill, o subconsciente não entende o vocabulário do dicionário, mas sim o vocabulário da vibração.

Essa compreensão ressoa com a milenar instrução bíblica: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23). Guardar o coração não significa protegê-lo do mundo, mas sim vigiar a qualidade do que sentimos. Se a boca proclama abundância, mas o coração vibra na escassez e no medo, é a frequência do coração que escreverá o destino.

A verdadeira fé exige que o coração sinta a realidade do que se busca antes mesmo que os olhos a vejam. É a capacidade de habitar o estado final. Não é esperar que algo mude “lá fora” para que possamos nos sentir bem “aqui dentro”, mas sim gerar o bem-estar interno de tal forma que o mundo externo não tenha outra opção a não ser refletir essa nova ordem.

Conquistas Externas vs. Vitórias Internas

A reflexão de Hill é um importante e valioso instrumento de engenharia da mente para a vibração na prosperidade e na abundância.

Mas a vida é feita de desafios e nem só as conquistas depuram o espírito e o tornam melhor em sua jornada evolutiva.

Por isso, aqui reside o grande dilema: enquanto autores como Hill focam na fé como ferramenta para mudar a realidade externa, o Espiritismo nos ensina que a fé é a luz que nos permite atravessar a realidade externa e interna com serenidade. Afinal, a verdadeira paz que nos realiza de fato não vem somente das “conquistas externas” (posses, títulos, reconhecimento), mas do domínio da vontade sobre as paixões e o ego. As “vitórias internas”.

Embora em alguns momentos tenhamos a clara sensação de merecimento, nem sempre estaremos totalmente prontos. Como seres humanos somos ainda muito falhos em nossas percepções e conclusões. E o que para nós parece óbvio para Deus algo importante e essencial ainda está faltando. E a indicação que Deus nos apresenta são obstáculos ainda a serem superados, para lapidar nossos pensamentos e sentimentos. Para frear nosso ego e nos tornar mais humildes e conscientes de que as vitórias internas não servem para exaltar o orgulho, mas sim para promover em nós a consciência de que temos nova chance de servir a obra do Senhor e forjar assim o ser humano bom que cada um de nós precisa edificar.

Pois quando não temos essa consciência, as conquistas que apenas enaltecem o orgulho e anestesiam o ego são frágeis e, provavelmente, nos exigirão cedo ou tarde um novo recomeço.

Só Deus Sabe de Todas as Coisas

Hill afirmava que “o medo é a oração ao contrário” e daí podemos compreender que o medo substitui a fé pela dúvida, dificultando profundamente o progresso material e espiritual. A fé ativa é, portanto, o antídoto contra o medo: ela substitui a incerteza pela convicção.

No Mistério da Fé, o segredo não está em convencer Deus a nos dar algo, mas em convencer a nós mesmos de que merecemos e já recebemos. A fé não é o pedido que sobe; é o sentimento que se instala. É a paz que surge quando paramos de lutar para “conseguir” e passamos a “ser” e “viver” aquilo que desejamos e sentimos que merecemos.

Mas a fé não é um mero instrumento de engenharia mental para realizar conquistas de ordem material. A fé é o segredo da paz de espírito que nos é concedida pela graça e misericórdia divina quando nos mantemos em harmonia com as leis do Criador, independente de como os fatos se apresentam a nossa volta.

Por isso, Bezerra de Menezes nos ensinou que triunfar nem sempre é conquistar. Na verdade, triunfar sob os olhares do Senhor pode exigir a disposição de “perder em um dado momento”. Isso significa que, em nome de uma coerência espiritual de longo prazo, muitas vezes abrimos mão de vitórias imediatas do ego. Essa compreensão ampla rompe com a noção de que a fé é passividade. Na verdade, a fé ativa é disciplina e resiliência. É o esforço de realizar a reforma interior, o único caminho que sustenta a paz quando todas as circunstâncias externas falham.

Nada acontece fora das leis de Deus. E nada é impossível de acontecer dentro das leis e do amor de Deus. E só Ele sabe de tudo e de todas as coisas.

Fonte: pesquisa realizada pela Equipe Um Caminho

About the author / 

Editor

Leave a reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

÷ 7 = 1

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Temas das Publicações

O que é o Espiritismo e a Doutrina Espírita?
https://youtu.be/Omrf7QcwZbw
Vida com Abundância

POR QUE NEM SEMPRE SOMOS CURADOS?

COMENTÁRIOS RECENTES

  1. Sérgio Luiz de Oliveira em Quem Somos

    Gostaria de ter esses ensinos impresso

O MEDO