Resiliência e coragem sempre!
O entendimento do próprio grau de evolução espiritual é uma ferramenta poderosa e um catalisador fundamental para o aperfeiçoamento moral do ser humano. A Doutrina Espírita, ao desvendar a realidade da vida espiritual e as consequências de nossas ações, oferece uma perspectiva que transforma a busca pelo bem em um imperativo lógico e consolador. Veja como:
- Consciência da Responsabilidade Individual: Ao compreender que somos “o árbitro da própria sorte” e que “toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga” (O Céu e o Inferno, Capítulo VII, item 9), o indivíduo percebe que seu estado atual e futuro é resultado direto de suas escolhas. Não há fatalidade cega, mas sim a lei de causa e efeito. Essa consciência da responsabilidade pessoal é um dos maiores estímulos para a mudança.
- Compreensão do Propósito do Sofrimento: O sofrimento, longe de ser um castigo arbitrário, é revelado como um mecanismo pedagógico, uma “expiação de faltas cometidas na presente ou em precedentes existências” (O Céu e o Inferno, Capítulo VII, item 10). Quando o espírito compreende que suas dores são lições necessárias para seu progresso, ele passa a encará-las com mais resignação e a buscar a raiz de suas imperfeições. Como o Espírito Joseph Bré, que, apesar de honesto aos olhos dos homens, lamenta não ter aproveitado melhor o tempo na Terra, dizendo: O Céu e o Inferno, Capítulo III, Joseph Bré
“Eu expio a minha descrença; porém, grande é a bondade de Deus, que atende às circunstâncias. Sofro, mas não como poderias imaginar: é o desgosto de não ter melhor aproveitado o tempo aí na Terra.” Essa compreensão transforma a dor em oportunidade de aprendizado.
- Motivação pela Perspectiva da Felicidade Futura: A Doutrina Espírita não prega penas eternas e irremissíveis, mas sim a possibilidade constante de progresso e, consequentemente, de alcançar a felicidade. A “completa felicidade prende-se à perfeição, isto é, à purificação completa do Espírito” (O Céu e o Inferno, Capítulo VII, item 2). Saber que a felicidade é um estado atingível e proporcional ao esforço moral é um incentivo poderoso. Os relatos dos “Espíritos felizes”, como Sanson e Samuel Filipe, que descrevem a alegria e a atividade constante no mundo espiritual, servem como um farol para aqueles que buscam o aperfeiçoamento. Samuel Filipe, por exemplo, afirma: O Céu e o Inferno, Capítulo II, Samuel Filipe
“Oh! vós que me fizestes padecer na Terra; que fostes cruéis e malévolos para comigo, que me humilhastes e afligistes; vós, cuja má-fé tantas vezes me acarretou duras privações, não somente vos perdôo mas até vos agradeço. Intentando fazer mal, não suspeitáveis do bem que esse mal me proporcionaria.” Essa visão de que o bem sempre compensa, mesmo em meio às maiores adversidades, é profundamente motivadora.
- Identificação e Combate às Imperfeições Específicas: A autoavaliação permite ao indivíduo identificar suas “imperfeições que não conseguiu corrigir na vida corporal” (O Céu e o Inferno, Capítulo VII, item 1). Seja o orgulho, o egoísmo, a inveja, a preguiça ou a sensualidade, a clareza sobre qual vício predomina direciona o esforço de reforma íntima. O Espírito Claire, por exemplo, reconhece: O Céu e o Inferno, Capítulo IV, Claire
“O mal não está fora de mim, reside em mim, devendo ser eu que me transforme e não as coisas exteriores.” Essa autoanálise, muitas vezes dolorosa, é o primeiro passo para a superação.
- Esperança e Ausência de Desespero: A certeza de que “Deus não repudia nenhum de seus filhos, antes recebe-os em seu seio à medida que atingem a perfeição” (O Céu e o Inferno, Capítulo VII, item 4) elimina o desespero. Mesmo os espíritos mais endurecidos, como Latour, que sofreu terrivelmente, encontram a esperança no arrependimento e na possibilidade de reparação. A Doutrina Espírita oferece um caminho de redenção contínuo, onde “o Espírito é sempre o árbitro da própria sorte, podendo prolongar os sofrimentos pela pertinácia no mal, ou suavizá-los e anulá-los pela prática do bem” (O Céu e o Inferno, Capítulo VII, item 13).
- Estímulo à Caridade e Fraternidade: Ao compreender a interconexão entre todos os seres e a lei de solidariedade universal, o indivíduo é impelido a praticar a caridade. Ajudar o próximo, seja encarnado ou desencarnado, torna-se um meio de progresso próprio. A história de Szymel Slizgol, o mendigo que acumulou riquezas para os pobres, ilustra como a abnegação e o serviço ao próximo são recompensados.
Em suma, o entendimento do grau de evolução espiritual, conforme a Doutrina Espírita, não é um mero exercício intelectual, mas uma revelação profunda que:
- Desmistifica a morte, mostrando-a como uma transição e não um fim.
- Atribui sentido ao sofrimento, transformando-o em oportunidade de crescimento.
- Reafirma a justiça e a bondade divinas, que oferecem sempre um caminho de retorno ao bem.
- Empodera o indivíduo, ao demonstrar que ele é o construtor de seu próprio destino, capaz de transformar suas imperfeições em virtudes e alcançar a verdadeira felicidade.
Essa clareza sobre a jornada evolutiva inspira uma busca ativa e consciente pelo aperfeiçoamento moral, não por medo de um castigo eterno, mas pelo desejo intrínseco de se alinhar às leis divinas de amor e progresso, que são a essência da felicidade.
Fonte: pesquisa da Equipe Um Caminho, com base no livro “O Céu e o Inferno”, de Allan Kardec.
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